
Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que o Brasil gasta, por ano, pelo menos R$ 10,4 bilhões com as consequências do consumo de alimentos ultraprocessados para a saúde da população. São despesas diretas com tratamentos no Sistema Único de Saúde (SUS), custos por aposentadoria precoce e licença médica. Só em 2019, segundo a pesquisa, foram cerca de 57 mil mortes prematuras relacionadas ao consumo desses produtos, o equivalente a seis mortes por hora ou 156 por dia. Os dados são do estudo “Estimação dos custos da mortalidade prematura por todas as causas atribuíveis ao consumo de produtos alimentícios ultraprocessados no Brasil”.
Produzidos por meio de longo processo industrial, os alimentos ultraprocessados costumam conter ingredientes que não fazem parte das preparações domésticas, como corantes, aromatizantes, emulsificantes, espessantes e conservantes. Além de aumentar a durabilidade e tornar os produtos mais atrativos ao paladar, esses aditivos são combinados com altas quantidades de sódio, açúcares e gorduras, o que pode favorecer o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis.
De acordo com a nutricionista materno-infantil do Hospital Padre Albino, Fernanda Guerzoni Garcia Martignon, o consumo frequente desses alimentos também compromete a qualidade da alimentação. "Os ultraprocessados possuem alta densidade calórica e baixo valor nutricional. Quando passam a fazer parte da rotina acabam substituindo alimentos in natura ou minimamente processados, reduzindo a ingestão de fibras, vitaminas e minerais essenciais para o bom funcionamento do organismo", explica. A nutricionista ressalta ainda que o excesso desses produtos está associado ao aumento do risco de obesidade, hipertensão arterial, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. "Além disso, muitos ultraprocessados são formulados para estimular o consumo em grandes quantidades, o que dificulta a percepção de saciedade e favorece hábitos alimentares pouco saudáveis", acrescenta.
Para reduzir os riscos à saúde, a recomendação é priorizar alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, cereais integrais, feijões, ovos e carnes frescas. Também é importante criar o hábito de ler os rótulos dos produtos e evitar aqueles com longas listas de ingredientes, especialmente quando incluem aditivos como corantes, aromatizantes, conservantes e realçadores de sabor.
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